“O ARCO-ÍRIS DE FAZER CONTAS” ( Material Cuisenaire )


O ARCO-ÍRIS DE FAZER CONTAS
RICARDO FALZETTA


Este texto foi publicado na  revista Nova Escola (revista de grande circulação entre os educadores)
, pelo repórter Ricardo Falzetta.
O texto mostra como foi criado o material Cuisenaire e apresenta as etapas de
 como ensinar os conceitos básicos de Matemática utilizando-se do material, atravé
s da experiência de uma professora de Educação Infantil.
Este material tem esse nome devido ao seu criador: Emile Georges Cuisenaire, (1891-1980).
Cuisenaire era professor de Matemática na Bégica, e ao se impressionar com uma 
cena de um aluno desesperado, em uma de suas aula, decidiu criar um material que 
]ajudasse no ensino dos conceitos básicos de Matemática.
Então cortou algumas réguas de madeira em 10 tamanhos diferentes e pintou cada peça
 de uma cor; e foi assim que surgiu a Escala de Cuisinaire.
Há meio século atrás , quando Cuisenaire inventou este material não sabia se iria dar certo
, porém na primeira aula que testou constatou que a sua intuição estava correta.
Só mais tarde o professor ficou conhecido fora do seu país, quando o educador egípcio
 Caleb Gattegno, radicado na Inglaterra e famoso por suas pesquisas em Educação Infantil, 
recebeu de um amigo belga, um convite para conhecer o homem que ensinava números com
 barras coloridas. Apesar de descrente ele aceitou, encantou-se ao ver o material, e disse “
esse homem mostra técnicas às crianças que são um milagre para a educação.”
O egípcio passou a divulgar o trabalho de Cuisenaire- a quem chamava de Senhor Barrinhas
. O professor belga tornou-se conhecido em todo mundo.
Ë um material bem simples , porém pouco conhecido e divulgado pelos educadores. Conversando
 com alguns professores pude perceber que a maioria não conhecia a Escala Cuisenaire, e quem
 conhecia não sabia como utilizá-la.
Este texto pode auxiliar os professores que estão buscando conhecer o material e aplicá-lo
 em suas aulas. É um material que vale a pena ser estudado, pois é um jeito diferente
 e prazeroso de aprender matemática.

Conheça sobre o material.
Cada barra tem uma cor e um tamanho diferente.
A menor das barras tem 1 cm e representa uma unidade. A segunda tem tem 2 cms
 e representa o número 2, e assim por diante, até a maior de 10 cms que indica o 10.
Veja as cores correspondentes a cada número:




                                                                                                                                                               
1 – Cor da madeira
2 – Vermelho
3 – Verde

4 – Lilás
5 – Amarelo
6 – Verde escuro
7 – Preto
8 – Marrom
9 – Azul
10 - Laranja


Para facilitar, as peças com valores que podem ser multiplicados por 2, foram pintados
 com cores parecidas. Manipulando as peças as crianças aprendem com facilidade a adição
 ,a subtração e conceitos como “o dobro de”, ou “a metade de”, de uma quantidade.
Este material pode ser usado com alunos de 3 à 11 anos.

Práticas de Ensino com a Escala Cuisenaire:

A professora Riva Cusnir, coordenadora da pré-escola do Colégio Max Nordou, da rede particular
, do Rio de Janeiro, utilizou as barrinhas com alunos da pré-escola.
Riva utilizou a teoria de Jean Piaget, sobre as fases do desenvolvimento infantil, para criar um 
método que foi dividido em oito etapas. Cada uma corresponde a um estágio do conhecimento
 infantil, e a desenvoltura do grupo é que determina a velocidade com que se passará de uma
 fase para outra.

Fase 1:

Acontece o primeiro contato com as barrinhas, que deve ser uma brincadeira, e apenas
 o reconhecimento físico da peças.
Pedir para construir casinhas, trenzinhos... e discriminar tamanho e cores.

Fase 2:

Reconhecimento das cores, que é essencial para a compreensão da Escala de Cuisenaire. 
O avanço desta percepção pelas crianças, pode ser feita com a ajuda de jogos.

Fase 3:

Depois que as crianças já estão familiarizadas com as cores e tamanhos do material,
 é hora de comparar os tamanhos das barrinhas. Escolhe-se uma barrinha e pede-se 
à criança que procure outras duas que juntas, tenham o mesmo tamanho da primeira.

Fase 4:

Começa associar os números às cores e aos tamanhos.

Fase 5:

Aprende a adição. Indica-se uma barrinha qualquer e os alunos tem de combiná-las
 com outras até obter o mesmo comprimento, ou seja, o mesmo tamanho.

Fase 6:

Aprende a subtração. Pode-se usar a tábua da decomposição em que um número,
 é decomposta em várias combinações possíveis colocadas lado a lado.

Fase 7 e 8:

Ao estudar  a multiplicação e a divisão, incluindo frações (fase 7), e as equações com
 incógnitas (fase 8), os alunos já terão chegado a um ponto em que o material será útil
 para conferir seu raciocínio. São assuntos para terceira e quarta séries, quando as crianças
 começam a desenvolver o raciocínio de forma mais abstrata.
 Também no cálculo d equações com incógnitas o aluno poderá empregar as barrinhas, já que
 para resolvê-las fará contas de subtração, adição, multiplicação e divisão.

Como podemos ver este tipo de trabalho exige um preparo maior por parte do professor
, e uma atenção ao aluno também maior. Infelizmente muitos professores preferem a
acomodação das apostilas e livros didáticos.
De acordo com o Referencial Curricular Nacional Para A Educação Infantil, fazer
 matemática é expor idéias próprias, escutar as dos outros, formular e comunicar
 procedimentos de resolução de problemas, confrontar, argumentar e procurar
 validar seu ponto de vista, antecipar resultados de experiências não realizadas, aceitar
 erros, buscar dados que faltam para resolver problemas.
E ainda...
Ao se trabalhar com conhecimentos matemáticos, como o sistema de numeração, espaços
, formas, etc, por meio da resolução de problemas, as crianças estarão consequentemente
 desenvolvendo sua capacidade de generalizar, analisar, sintetizar, inferir, formular hipóteses
, deduzir, refletir  e argumentar.
Acredito que a Escala de Cuisenaire, nos ajuda a cumprir com boa parte destes objetivos
 do ensino de Matemática.

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