Pais alfabetizam bebês com a técnica do aletramento materno 



A palavra para mim é alimento. Escrever, mais que um ofício, é uma necessidade e não daquelas que chegam como obrigação. Ao contrário, vem com um prazer  que não sei se conseguiria traduzir assim só por dizer. A palavra escrita sempre foi o meu refúgio, o meu porto seguro e, de certa forma, o meu ar! Tá bom, sei que sou também faladeira, "inventadeira" de histórias como bem me definiu a Bia! Adoro ouvir histórias, adoro contar e cantar histórias, adoro sentir histórias - agora estou aprendendo até a adormecer histórias. Algumas chegam
sem cerimônia no meio da madrugada, querendo ganhar forma, vida e, talvez porque eu precise dormir mais que qualquer outra coisa, arrisco adormecer histórias. Faço com que adormeçam ( as histórias, eu até consigo, já a Luiza... Ela ainda mama e mama muito de madrugada!) para que despertem em outro momento. E foi numa das madrugadas insones, ao perceber Luiza desmaiada, plena e muito bem alimentada depois de amamentá-la que o termo: "aletramento materno" fez mais sentido para mim! Tão necessário em nossas vidas quanto o ar e o alimento, é o aconchego da palavra, seja dita, calada, cantada, escrita, desenhada, versada. Percebi ali, na penumbra do quarto, que contar histórias não deixa de ser uma outra forma de abraçar, de acarinhar, de acalantar. Luiza, bem antes de se saber Luiza, de sabermos que era Luiza já ouvia histórias. Histórias que eu e os irmãos contávamos para a barriga. Hoje temos certeza que ela percebeu cada uma delas. O encantamento com que ela se entrega aos livros é surpreendente!
Nos primeiros dias em casa, Felipe fez questão de fazer a "mediação", cantava, fazia graça, mas sempre acalmava a caçulinha com um bom e colorido livro.
Ela tomou gosto, claro! Como é que não tomaria!
  Faz suas próprias "leituras" e até reclama quando a história acaba.
Tudo bem, há um mundo e uma vida inteira para ler.Sim! A vida e o mundo são um grande livro! A gente tem que saber ler todas as coisas: a natureza, os sentimentos, o céu e os jardins, as vozes e os silêncios! O tempo passa e em nossa caixinha de deslumbramentos vamos juntando história. Os bebês e as crianças têm poesia nos olhos, enxergam tudo com a métrica e a rima que a vida deveria ter sempre. Crescem e muitas vezes perdem a ótica da maravilha, da fantasia. Mas alguns, na literatura aprendem a ressignificar tudo, a encontrar as lentes que devolvem a visão encantada de antes.
Sempre me perguntam sobre a importância da leitura, sobre formas de incentivo ao letramento e sobre a formação de leitores. Agora sei bem o que dizer: um bebê diante do seio, mesmo ainda ligado à mãe pelo cordão umbelical, abre a boquinha e sabe o que fazer, consegue nos primeiros segundos de vida sugar e se alimentar. Quando se entende a literatura como prazer também é assim e a grande vantagem do "aletramento" é que ele não precisa ser só materno!
Fonte: contoscantoseencantos.blogspot.com
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